Cafeicultores sofrem com prejuízos causados pela chuva em Elói Mendes

Após a chuva de granizo que atingiu diversas cidades do Sul de Minas nesta terça-feira (25), cafeicultores de Elói Mendes, ainda contabilizam os prejuízos causados nas lavouras. A tempestade foi tão violenta que na manhã desta quarta-feira ainda tinha produtor tirando gelo das plantações.

Na propriedade de Sebastião Barreto da Silva Filho, todos os 22 mil pés de café terão que ser cortados. A expectativa era que a produção chegasse a 500 sacas em 2016.

0826_cafe_3“Você sair com uma boa fé, pra ganhar o pão de cada dia… você chega e a lavoura destruída é triste. No ano passado não deu [café] porque ela estava esqueletada. Depois a seca pegou. Agora foi cuidada com amor e carinho, veio e aconteceu isso aí”, lamenta o cafeicultor.

Em outra fazenda da cidade, José Tadeu da Silva já tinha colhido aproximadamente 80% da lavoura, que tem 12 hectares, e parte do café estava no terreiro secando. Quando a chuva chegou, o produtor e o filho estavam no Centro de Elói Mendes. A previsão dele era de atingir cerca de 400 sacas com esta lavoura.

“É uma tristeza muito grande. Uma coisa que a gente luta por tantos anos e chegar assim de repente, sem a gente ter nem noção. Minha mulher tinha ligado [avisando] que tinha chovido, hora que eu cheguei… não tem nem palavras pra falar”, conta Silva.

0826_cafe_4O vento ainda arrancou parte das telhas da casa. “Estamos tentando limpar [a casa] ainda. Eu tenho problema de saúde, tenho uma trombose crônica na perna, não dormia de noite de tanta dor, porque eu fiquei no gelo, em cima. Deu no joelho, a água”, diz Delminda Aparecida Coelho, que era a única em casa quando a chuva aconteceu.

O filho do casal, Wallace Bruno Coelho Barreto, sonhava em voltar a estudar. “Agora, com esse prejuízo que teve, não vai ter como mesmo. Vamos ter que deixar mais para frente. [Sobrou] a fé. A única coisa que sobrou. A única”.

Fazenda após fazenda, produtores contam sobre a quantidade de gelo que caiu. A força do vento também derrubou o muro de uma casa. Em outro local, um viveiro com 200 mil mudas de café também foi destruído.

A Emater percorreu as lavouras atingidas pelo temporal. Segundo o extensionista agropecuário Cláudio Salim, o prejuízo será grande.

“Para o produtor é um prejuízo de 100% da lavoura afetada para a safra seguinte, que é a safra 2015/2016. Além do prejuízo que ele vai ter com mão de obra e com produtos para recuperar a lavoura”, explica.

“Vou lutar. Vou lutar e vou vencer de novo. Deus é grande”, diz Sebastião Silva Filho.

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