Blocos movimentam economia e geram negócios na região

A fama conquistada por blocos de carnaval organizados em espaços fechados, ao estilo das micaretas, se tornou uma marca da festa no Sul de Minas e uma fonte de renda para muitos empreendedores. Neste ano, só os dois blocos mais populares da região, o Bloco do Urso, em Santa Rita do Sapucaí, e Vermes e Cia, em Muzambinho (MG), devem atrair cerca de 40 mil pessoas durante os quatro dias de folia- um filão para quem busca diversificar os negócios ou ter uma renda extra.

O impacto das festas no orçamento dos municípios ainda não é calculado pelas prefeituras e associações comerciais, mas apenas em Santa Rita do Sapucaí a organização responsável pelo evento carnavalesco calcula em R$ 22 milhões o valor movimentado na cidade em 2016. Para este ano, o montante deve chegar a R$ 25 milhões.

Os blocos que hoje atraem tanto público e dinheiro para a região começaram como pequenas organizações carnavalescas de rua no final dos anos 1990, em geral unindo grupos de 15 a 20 pessoas. Com o tempo, esses blocos cresceram, consolidaram uma marca e passaram a oferecer shows com artistas em destaque no cenário nacional. Se há oito anos, o ponto de encontro para esse tipo de festa era a rua, agora uma verdadeira arena é montada em terreno próprio. Para um dos blocos da região, o espaço adquirido tem 72 mil metros quadrados de área.

Santa Rita do Sapucaí, carnaval, Cidade do Urso, Bloco do Urso (Foto: Reprodução/EPTV)
Blocos de carnaval que deixaram as ruas do Sul de Minas há mais de uma década são investimento rentável para empreendedores da região (Foto: Reprodução/EPTV)

Hotéis lotados
Prestadores de serviços em geral e empresas são os principais beneficiários dessa renda, que alcança até quem não vive de investimentos, mas possui um imóvel. Com quatro hotéis e uma pousada, conforme levantamento da prefeitura, o turista que chega a Santa Rita do Sapucaí tem poucas opções de hospedagem na cidade.

Leitos de hotéis crescem 34% em quatro anos em Pouso Alegre, MG (Foto: Reprodução EPTV)

Situação semelhante vive quem vai para Muzambinho- tanto que um site foi criado no município para aproximar visitantes dos moradores com casa para alugar e das 300 hospedagens disponibilizadas, metade já estava negociada até o começo da semana.

Mas a demanda é tão grande que sobram clientes até para as cidades vizinhas. Em Pouso Alegre (MG), a 22 Km de Santa Rita do Sapucaí, toda a rede hoteleira está reservada há meses para os foliões. São pelo menos 2,5 mil leitos ocupados até a próxima terça-feira (28).

“Já tem as empresas que fazem reserva dos quartos para essa época com três ou quatro meses de antecedência. No carnaval, por causa dos blocos, é difícil encontrar vaga em hotel. Pode pesquisar”, desafia Juliana Carvalho Pereira, recepcionista de um hotel no Centro que tem 80 apartamentos e deve receber em torno de 300 pessoas durante o carnaval.

Transporte, carnaval, Sul de Minas, Santa Rita do Sapucaí, MG (Foto: Arquivo/Hit the Road)
Atentos a toda essa movimentação, o estudante de engenharia da computação Bruno de Oliveira Toledo, de 22 anos, e outros dois sócios resolveram apostar no setor de transporte como modelo de negócio nos dias de folia. Na faculdade que frequentam, eles já haviam iniciado o desenvolvimento de um aplicativo que promete ser o “Tinder das caronas”, mas agora a expectativa é expandir as possibilidades do empreendimento.
Transporte, carnaval, Sul de Minas, Santa Rita do Sapucaí, MG (Foto: Arquivo/Hit the Road)

“Esse é o nosso primeiro ‘insight’ como sistema de mobilidade urbana”, diz Toledo. “A nossa startup começou com o aplicativo de caronas, que ainda esta em fase de testes, e evoluiu para soluções em mobilidade urbana. Percebemos a dificuldade que o folião encontra em chegar ao local da festa com tranquilidade e segurança, muitas vezes tendo que estacionar longe por causa do número de veículos, então a gente criou alguns pontos de embarque, organizou o transporte disponível e as pessoas vão ser deixadas no nosso stand, dentro do espaço do bloco”, conta.

Sediada em Santa Rita do Sapucaí, a startup vai oferecer transporte, por meio de algumas parcerias, entre o Centro e a Cidade do Urso, a 6,5 Km de distância. A capacidade de atendimento por viagem é estimada em 500 pessoas, com cinco pontos de embarque e desembarque. O pacote de ida e volta nos quatro dias sai por R$ 96.

“Como é uma experiência de negócio, o contato com o público não é feito por meio de um aplicativo. Criamos uma página da internet da nossa startup, a ‘Hit the road’, estamos fazendo as divulgações por lá. Enquanto eles [os foliões] se divertem, a gente leva para a casa”, relata o estudante.

Empresa criou pacotes com refeições saudáveis para os foliões no Sul de Minas (Foto: Arquivo/Gourmio)

Setor de alimentos aposta em comida saudável
Até uma empresa que trabalha com produção e entrega de refeições saudáveis achou um jeito de aproveitar o mercado dos blocos no Sul de Minas.

“Nós oferecemos um ‘spa’ em casa, com opções de refeição desde o café da manhã até o jantar. Criamos pacotes de carnaval para quem quer estar bem, com um físico mais enxuto, com energia [para pular carnaval]. A gente oferece a semana detox, com todas as refeições sem glúten, lactose, carne vermelha e açúcar, dietas low carb [com alimentos de baixa caloria], vegana e líquida. E as pessoas ainda podem adquirir produtos avulsos, como lanches”, explica a administradora e sócia da empresa que faz entregas em Santa Rita do Sapucaí e Pouso Alegre, Vanessa Mendes Forchito, de 33 anos.

Abadá, carnaval, Sul de Minas, negócios, Edna Motta, Janaína Fernanda Pereira, Borda da Mata (Foto: Arquivo/Pitanga Real)

Diversão com estilo
Já a empreendedora Edna Motta, de 29 anos, faz uma pausa de duas semanas na confecção artesanal de roupas de sua marca para se dedicar exclusivamente aos foliões há três anos. Com a profissionalização dos blocos, os abadás deixaram de ser apenas uma camiseta folgada que traz a marca de um determinado grupo e ganharam status de objeto de moda com as inúmeras possibilidades que a personalização do tecido oferece.

“Teve um abadá customizado que chegou a custar R$ 100. A crise, no carnaval, pula. Ano passado, eu senti uma queda nas vendas da coleção, mas no carnaval não tem crise”, garante Edna.

Abadá, carnaval, Sul de Minas, negócios, Edna Motta, Janaína Fernanda Pereira, Borda da Mata (Foto: Arquivo/Pitanga Real)

No pequeno ateliê onde Edna desenvolve modelos de camisetas e blusas junto com a mãe, em Borda da Mata, outras três pessoas se juntam nos dias que antecede a folia para abrir os abadás, costurar de novo, bordar e cuidar do acabamento. A mão de obra sai a R$ 25 por peça e os acessórios são escolhidos ou comprados pelos clientes.

“O abadá se tornou um investimento para o folião”, observa a empreendedora. “Você sabe que hoje em dia o céu é o limite, mas as peças bordadas e com pedrarias são as mais pedidas. Os abadás com gipir [renda de linha ou seda com motivos em relevo, formando arabescos] também são uma tendência”, conta.

Uma das clientes mais antigas de Edna, a farmacêutica Janaína Fernanda Pereira, de 32 anos, já providenciou a versão fashion da camiseta de bloco que usará neste ano. “É um investimento bacana, com preço bom. O trabalho é maravilhoso, que dá um diferencial no abadá. Às vezes abusamos um pouco mais [no gasto], como no meu abadá de 2016, com pedras lindas, mas vale o gosto”, garante.

Fonte: G1 Sul de Minas

 

 

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