Abalados, pais deixam audiência durante júri popular de réus do caso Larissa

Os pais da universitária Larissa Gonçalves de Souza, morta em outubro de 2015 em Extrema (MG), não conseguiram permanecer na audiências durante o júri popular dos acusados de terem planejado e executado o crime. Eles deixaram a sala, no fórum de Cambuí (MG), quando a promotoria mostrou fotos que comprovavam que a jovem foi torturada antes de ser morta.

Larissa, na época com 21 anos, foi encontrada morta após ficar 11 dias desaparecida. Três pessoas foram presas pelo crime, o ex-comerciante José Roberto Freire, acusado de ser o mentor do crime; o garato de programa Valdeir Bispo dos Santos e a enfermeira Rosiane Rosa da Silva, que sequestraram a jovem na rodoviária de Extrema e depois levaram para a casa do comerciante, onde ela acabou morta.

Larissa Gonçalves foi morta aos 21 anos de idade em Extrema, MG (Foto: Reprodução Facebook)
Larissa Gonçalves foi morta aos 21 anos de idade em Extrema, MG (Foto: Reprodução Facebook)

A promotora Rogéria Cristina Leme apresentou para o júri a arma de choque usada para render a estudante, o fio elétrico usado para amarrar os pés e as mãos dela e um peso de academia, de cinco quilos, usado para agredir a jovem no rosto e na cabeça. Além disso, a perita Tatiana Telles Koeler de Matos, que acompanhou o caso, confirmou que Larissa foi agredida com golpes em diversas partes do corpo e na região genital.

“Eu rezava, dobrava os joelhos todos os dias, pedindo que saísse logo essa justiça”, disse a mãe, Maria Nicéia de Oliveira Souza, que já havia revelado não ter tido coragem de desfazer o quarto da filha.

Pais da estudante não quiseram rever fotos da perícia mostrando agressões sofridas pela filha (Foto: Reprodução EPTV)
Pais da estudante não quiseram rever fotos da perícia mostrando agressões sofridas pela filha (Foto: Reprodução EPTV)

Relação entre réu e namorado da vítima

O delegado Valdemar Lídio Gomes Pinto, que conduziu as investigações, também é testemunha no processo e contou que soube do envolvimento entre José Roberto Freire e o ex-namorado da vítima, Lucas Gamero, após uma denúncia. Mais tarde, um investigador confirmou que encontrou fotos que mostravam dos dois em “situação de intimidade”, conforme o TJMG.

O crime teria sido motivado pelos ciúmes que Freire sentia do namorado da jovem. No julgamento, ele voltou a afirmar que mantinha um relacionamento amoroso com o rapaz.

Gamero chegou a ser preso, mas foi liberado após pouco mais de uma semana e não é sequer citado no processo, já que as investigações não encontraram evidências de que ele tivesse participado do crime. Por causa disso, a juíza Patrícia Nicolini não permitiu perguntas sobre ele. Além disso, a promotoria apresentou áudios e transcrições que indicam que Freire dopava o namorado da vítima.

Diante da juíza, Freire abdicou do silêncio e voltou a confessar o crime, mas se disse arrependido. Ele teria pagado R$ 1 mil pela morte da jovem em 2015.

Ciúmes do namorado da jovem teria motivado crime em Extrema (Foto: Reprodução EPTV)
Ciúmes do namorado da jovem teria motivado crime em Extrema (Foto: Reprodução EPTV)

Desmembramento do processo

Rosiane Rosa da Silva não está sendo julgada com os demais réus. O processo contra ela foi desmembrado após o advogado de defesa dela apresentar um atestado médico dizendo que ela não poderia comparecer às sessões neste início de semana. Uma nova data deve ser marcada para que ela responda às acusações.

O julgamento foi transferido para Cambuí, que fica a 45 km de Extrema, a pedido da defesa dos réus.

“É um julgamento que já teve seus problema em Extrema. Eu acredito que aqui teríamos os mesmos problemas pela proximidade. Pedi o desaforamento para Pouso Alegre, não fui feliz no meu intento. A defesa hoje se baseia, do Valdeir, em colocar, na verdade, o que foi realmente praticado por ele”, afirmou o defensor público Luciano Morgado Guarnieri, que defende Valdeir Bispo dos Santos.

Freire e Santos estão sendo julgados em Cambuí (MG) (Foto: Reprodução EPTV)
Freire e Santos estão sendo julgados em Cambuí (MG) (Foto: Reprodução EPTV)

“E justamente com base nas provas que a defesa vai apresentar sua tese. É uma tese muito simples, muito coerente com tudo que tem no processo”, disse Mauro Antônio Bueno Corsi, advogado de José Roberto Freire;

A divisão do processo fez com que o julgamento de Freire e Santos fosse agilizado. Com isso, a expectativa é de que um veredito seja expedido já nesta terça-feira (5).

Fonte: G1 Sul de Minas

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