9 cidades da região aparecem em mapa do trabalho escravo no Brasil

Dívidas impagáveis, ameaças veladas, água dividida com animais, jornadas extenuantes sem descanso, moradias insalubres, falta de equipamentos de proteção e de kits de primeiros socorros. Os relatos de trabalhadores resgatados no país reúnem vários elementos que mostram como se configura o trabalho análogo ao de escravos nos dias de hoje. No Sul de Minas, 10 cidades aparecem no mapa do trabalho escravo no Brasil.

Um levantamento exclusivo feito pelo G1 analisou 315 relatórios de fiscalização obtidos via Lei de Acesso à Informação. Foram analisadas 33.475 páginas que contêm a descrição do local e da situação verificada in loco pelos grupos de fiscalização, bem como as infrações aplicadas, fotos, depoimentos dos trabalhadores e documentos diversos, como recibos e guias trabalhistas.

Das 315 fiscalizações analisadas (de janeiro de 2016 a agosto de 2017), 117 acabaram com ao menos um trabalhador resgatado.

Casos no Sul de Minas

  • Jesuânia – cultivo de café, 10 resgatados, 6 auto infrações;
  • Carmo da Cachoeira – cultivo de café, 7 resgatados, 14 auto infrações;
  • Nepomuceno – cultivo de café, 5 resgatados, 9 auto infrações;
  • Poço Fundo – cultivo de café, 20 resgatados, 29 auto infrações;
  • Poço Fundo – cultivo de café, 12 resgatados, 15 auto infrações;
  • Machado – cultivo de café, 4 resgatados, 13 auto infrações;
  • Bom Sucesso – colheita de café, 10 resgatados, 14 auto infrações;
  • Conceição da Aparecida – cultivo de café, 16 resgatados, 47 auto infrações;
  • Bom Jesus da Penha – cultivo de café, 14 resgatados, 35 auto infrações;
  • Poços de Caldas – construção civil, 8 resgatados, 20 auto infrações.

Relato retirado dos relatórios

Construtora em Poços de Caldas – trabalhador de 52 anos – resgatado em setembro de 2016

“Eu cheguei no alojamento e não tinha cama. Só um colchão pra dormir sobre o chão. Eu bebia água diretamente da torneira, que vinha direto da caixa d’água. Tive diarreia e infecção urinária. Não recebi qualquer pagamento. Também não recebi nenhum item de higiene pessoal. Não tinha papel higiênico nem creme dental. Não havia mantimentos no alojamento, mas eles forneciam pra gente a alimentação.

Fui tratado com muita falta de respeito, não me senti tratado como um ser humano.

O senhor chegou a fazer uma reunião com os empregados e disse que não ia pagar ninguém porque as contas dele estavam bloqueadas. Ele falou que com ele os problemas são resolvidos na bala.”

Foto: Reprodução

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