Pré-candidato ao governo de MG, Marcio Lacerda, também rejeita Aécio Neves

O ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato do PSB ao governo de Minas Gerais, Marcio Lacerda (PSB), é mais um dos pretendentes ao Palácio da Liberdade que rejeitam dividir o palanque com o senador Aécio Neves (PSDB) nas eleições deste ano. A hipótese de os tucanos apoiarem o socialista foi debatida após encontro das bancadas federal e estadual da sigla, realizado na segunda-feira (26). O primeiro plano dos deputados é a candidatura própria, com o senador Antonio Anastasia como cabeça de chapa. Mas, diante da constante negativa dele, os parlamentares discutiram um plano B, em que apoiariam outras legendas.

O deputado federal Eduardo Barbosa, anfitrião do jantar, afirmou que a pauta principal foi Anastasia. Ele conta que todos os parlamentares estão empenhados a convencê-lo a entrar na corrida eleitoral. “O nome dele é unânime entre os deputados do PSDB. Além de unir o partido, agrega outros aliados que eram base em sua gestão. Ele faria um ambiente tranquilo no processo sucessório”, declarou.

Sobre a chance de surgir outro nome do PSDB caso o senador mantenha a recusa de ir para o pleito estadual, Eduardo Barbosa desconversou. “Não temos outro nome nem pensamos nisso ainda, até porque outra indicação daria um conforto para o Anastasia”, revelou.

“Ele sempre decide de última hora, faz parte do temperamentozinho dele”, provoca outro parlamentar que, sob a condição de anonimato, diz que, sem o senador na disputa, a maioria dos tucanos tende a apoiar a pré-candidatura do deputado federal Rodrigo Pacheco, atualmente no MDB, mas que deve migrar para o DEM. O problema é que, nos bastidores, o hoje emedebista rejeita ter Aécio como candidato ao Senado em sua chapa.

Segundo relatos de um parlamentar, o deputado federal Marcus Pestana insistiu em um apoio a Marcio Lacerda caso Anastasia não esteja disposto a concorrer: “Ele mesmo (Marcio) não iria querer essa aliança, pois não quer que o PSB e seus aliados, como PDT e Solidariedade, sirvam de bandeja para o PSDB conseguir mais deputados”, pondera um tucano.

Os apoiadores do ex-prefeito de Belo Horizonte concordam, principalmente porque ele não quer Aécio em seu palanque. Além das denúncias de corrupção que recaem sobre o tucano, um interlocutor lembra que a ruptura entre os dois ocorreu ainda nas eleições de 2016 e não foi nem um pouco amigável. Na época, Lacerda chegou dizer que não votaria no senador nas eleições deste ano.

“Estamos conversando com os tucanos por cortesia, educação e vínculos com alguns quadros da legenda, principalmente de prefeitos do interior que disseram que, sem Anastasia, apoiariam o Marcio. O partido não é só o Aécio, tem quadros muito bons, mas ele atrapalha muito. Ninguém quer dividir palanque com ele”, confidenciou a fonte.

Um parlamentar socialista diz ainda que foi-se a época em que o PSDB era o responsável por distribuir as cartas do jogo, uma vez que a legenda, na avaliação dele, carece hoje de lideranças políticas. “As últimas eleições foram polarizadas. Hoje tem uma terceira via, com um grupo unido e com possibilidades de ganhar a eleição. O PSDB está assumindo o papel de coadjuvante no processo, e o PSB tem vários casamentos marcados”, disparou.

Fator Ciro Gomes

Negativa. Outro motivo para que Marcio Lacerda rejeite o apoio dos tucanos se dá pela conjuntura nacional. Já há um acordo fechado com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes, que é o pré-candidato do PDT à Presidência em 2018.

Compromisso. Uma aliança com os tucanos obrigaria o ex-prefeito a também dar palanque para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin – nome do PSDB ao Palácio do Planalto. “O Ciro deu a palavra dele de que vai apoiar o Marcio e não pediu nenhuma contribuição em troca. Estamos com ele”, revelou um interlocutor.

Fonte: O Tempo / Foto: André Dusek

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