MTST encerra ato na Paulista após governo liberar verba de moradia

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST ) comemoram em frente ao prédio da presidência da República em São Paulo, na Avenida Paulista, após acordo do governo para o programa de habitação Minha Casa Minha Vida na noite de quarta-feira (8) (Foto: Paulo Ermantino/Raw Image/Estadão Conteúdo )
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST ) comemoram em frente ao prédio da presidência da República em São Paulo, na Avenida Paulista, após acordo do governo para o programa de habitação Minha Casa Minha Vida na noite de quarta-feira (8) (Foto: Paulo Ermantino/Raw Image/Estadão Conteúdo )

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) conseguiu liberação de recursos para a construção de casas para famílias com renda de até R$ 1,8 mil. O grupo que ocupou a calçada da Avenida Paulista, em frente ao escritório da Presidência da República, em protesto por 22 dias, começou a desmontar o acampamento nesta quinta-feira (9).

Segundo o MTST, o governo Michel Temer (PMDB) passou a priorizar famílias com renda mais alta. No dia 6 de fevereiro, o governo federal anunciou a ampliação do Minha Casa Minha Vida, mas para famílias com renda mensal de até R$ 9 mil. Antes, o limite de renda da faixa 3 para ter direito a participar do programa era de R$ 6,5 mil por mês. Para os MTST, as mudanças “transformaram um programa social em um programa de crédito imobiliário”, voltado para “setores que não são os mais necessitados”.

O coordenador do MTST em São Paulo, Michel Navarro, afirmou que os movimentos sociais e cooperativas foram contratadas no governo Dilma para a construção de 35 mil casas da faixa 1 (de até R$ 1,8 mil). “Depois que ela [Dilma] saiu, entretanto, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, suspendeu essas contratações. O que nós queríamos era a liberação dessas contratações, que ficaram congeladas”, disse Navarro. “A faixa 1 é aquela que abrange as famílias mais necessitadas”, completou.

No dia 15, o grupo realizou uma passeata em duas frentes, uma que partiu do Largo da Batata, em Pinheiros, e outra da Praça da República, no Centro, em direção à Avenida Paulista. No dia seguinte, os manifestantes amanheceram acampados na calçada da via, na altura da Rua Augusta, nas imediações do Conjunto Nacional. O coordenador nacional do MTST falou ao G1 sobre a mudança na faixa 3.

“Isso é inadmissível porque o programa deixa de ter um cunho social para virar as costas para quem mais precisa. Para nós, seria melhor que viessem aqui os membros do governo e assumissem o compromisso em papel passado em relação à moradia. Agora, se não vierem, cada guerreiro e cada guerreira que está aqui hoje vai ter um novo endereço a partir dessa noite”, afirmou.

Lideranças do MTST se reuniram com o ministro Bruno Araújo na noite desta quarta-feira (8) e, segundo a pasta, haverá “tratamento isonômico que continuará sendo dado às entidades, sem qualquer tipo de diferenciação e reforçou que existe a dotação orçamentária para este ano”. “Para as próximas semanas 170 mil novas unidades habitacionais serão contratadas na Faixa 1: 100 mil no Fundo de Arrendamento Residencial, 35 mil rural e 35 mil na modalidade urbana”, afirmou.

Segundo o ministro, será publicada uma nova portaria, no final março, que também prevê, entre outros requisitos, a contratação no limite de 500 unidades habitacionais por empreendimento

“Foi uma vitória, mas a luta nunca termina. Com a aprovação do Governo Federal, ainda precisaremos das aprovações junto às prefeituras, técnicos e bancos. É uma luta para cada assinatura”, afirmou Afonso. Após a reunião em Brasília, os manifestantes, que já haviam marcado uma assembleia para as 20 horas de quarta, comemoraram o resultado e decidiram desmontar o acampamento.

Afonso também adiantou que o MTST prepara uma nova série de manifestações para impedir a reforma da previdência. “A partir do dia 15 colocaremos toda a nossa energia para derrotar a reforma. Vamos explicar como esse projeto afeta os trabalhadores, principalmente os mais pobres”, afirmou.

Acampamento do MTST na Paulista já dura 9 dias  (Foto: Charles Sholl/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Acampamento do MTST na Paulista já dura 9 dias (Foto: Charles Sholl/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Fonte: G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *