Gasto de brasileiros no exterior cai 62% em janeiro, para US$ 840 milhões

 

A recessão na economia e o dólar alto diminuíram consideravelmente o ímpeto dos brasileiros para os gastos no exterior. Em janeiro, tradicional mês de férias escolares, quando as despesas aumentam, os gastos lá fora somaram US$ 840 milhões, com forte queda de 62% frente ao mesmo período de 2015 (US$ 2,23 bilhões).

Foi o menor valor para meses de janeiro desde o início da série histórica do Banco Central, em 2010. Também foi a primeira vez que estas despesas ficam abaixo da marca de US$ 1 bilhão.

O dólar mais alto encarece as passagens e os hotéis cotados em moeda estrangeira, além dos produtos comprados lá fora. A valorização da moeda norte-americana também aumenta os gastos com cartões de crédito e débito no exterior – que sofrem a incidência, ainda, do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) de 6,38%. Em janeiro, a moeda norte-americana avançou 1,93%, para R$ 4,02.

Ao mesmo tempo, a recessão na economia também têm diminuído a renda das famílias. Além disso, a alta da inflação e o nível de endividamento das famílias, que segue elevado no começo deste ano, também têm contribuído para limitar os gastos no exterior. Os juros bancários, por sua vez, continuam em níveis historicamente altos. Para completar o quadro, o governo passou a cobrar a alíquota de 25% de IR sobre remessas ao exterior para o pagamento de serviços para gastos pessoais.

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Histórico de gastos
Entre 2010 e 2014, os gastos de brasileiros no exterior vinham subindo continuamente. Entretanto, no ano passado, com a alta de quase 50% no dólar (que encareceu despesas no exterior em igual proporção), houve uma queda de 32%.

Até 1994, quando foi criado o Plano Real para conter a hiperinflação no país, os gastos de brasileiros no exterior não tinham atingido a barreira dos US$ 2 bilhões (pela série histórica antiga). Mas, naquele ano, quando o real foi ao equiparado ao dólar, as despesas somaram US$ 2,23 bilhões. Entre 1996 e 1998, elas oscilaram entre US$ 4 bilhões e US$ 5,7 bilhões.

Com a maxidesvalorização cambial de 1999 e o dólar ultrapassando R$ 3 em um primeiro momento, as despesas lá fora também ficaram mais caras. O gasto voltou a recuar e ficou, naquele ano, próximo de US$ 3 bilhões.

ESTAGIO-NO-EXTERIOR

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