Estagiário da Justiça Federal é preso por acesso ilegal a processo envolvendo um dos maiores traficantes do país

Um estagiário de uma das Varas Previdenciárias da Justiça Federal de Londrina, no norte do Paraná, foi preso nesta segunda-feira (20) por suspeita de acessar ilegalmente o processo criminal da Operação Spectrum, que prendeu o traficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido como “Cabeça Branca”, segundo a Polícia Federal (PF)

A prisão é temporária, pelo prazo de cinco dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período. Também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na cidade.

O estudante de direito, de 20 anos, foi preso na universidade onde estuda por volta das 8h30 desta segunda, conforme a polícia.

Ainda de acordo com a PF, o estagiário tem relacionamento íntimo com parentes do traficante.

A senha à qual ele tinha acesso deveria ser usada exclusivamente para os serviços ligados à Vara onde faz estágio.

A PF explicou que as investigações começaram após a 23ª Vara Federal de Curitiba informar sobre os acessos irregulares ao processo, com detalhes como o número de IPs utilizados pelo estagiário.

Além disso, a Justiça autorizou a quebra de sigilo telemático – que envolve telefones celulares e outros equipamentos eletrônicos – que identificou também acessos ilegais ao processo feitos em outros estados e até mesmo no Paraguai.

Todos os usuários que acessaram a ação foram identificados e serão ouvidos em um inquérito policial já instaurado para apurar os fatos.

A operação desta segunda-feira foi batizada de “Operação Controle”, referência ao fato de a PF, a Justiça Federal e o Ministério Público Federal terem total controle sobre seus procedimentos, sendo a senha fornecida a estagiários integralmente monitorada, segundo informou a PF.

G1 entrou em contato com a Justiça Federal e aguarda retorno.

Operação Spectrum

Luiz Carlos da Rocha é apontado pela Polícia Federal como um dos maiores traficantes do Brasil. Ele estava foragido da Justiça havia 30 anos e foi detido em Mato Grosso em julho deste ano. Ele está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no oeste do Paraná.

As investigações apontaram que o grupo liderado por Cabeça Branca usava caminhões carregados com soja para transportar as drogas. O dinheiro obtido com a venda da cocaína era lavado em fazendas, onde as drogas eram escondidas. Ainda de acordo com a Polícia Federal, Cabeça Branca mantinha duas casas, uma em Sorriso, no Mato Grosso, e outra em Osasco, na Grande São Paulo, usando identidades falsas.

As investigações apontaram que o criminoso usava o Porto de Santos (SP) para exportar drogas para a Europa e os Estados Unidos e tinha mais influência que outros traficantes, como Fernandinho Beira-Mar e Juan Carlos Abadia.

Fonte: G1

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