Disputa no PMDB mira 2018

Líder absoluto na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o deputado Adalclever Lopes (PMDB) tem nas mãos larga maioria dos parlamentares mineiros sendo, consequentemente, a figura que até agora garantiu governabilidade a Fernando Pimentel (PT). Tal fato faz dele o comandante do partido no Estado, pondo em xeque a liderança do presidente estadual da legenda, Antônio Andrade, atual vice-governador do Estado. Esse é o discurso afinado dos deputados estaduais que integram a base de apoio do governo de Minas.

Nos bastidores, no entanto, a história é contada de forma diferente. Fontes do PMDB estadual garantem que Andrade, rompido com Pimentel e Adalclever, estaria mais forte do que nunca, apesar de longe dos holofotes da política. O fato mais emblemático foi a eleição da Associação Mineira de Municípios (AMM), que aconteceu no último dia 30. O prefeito de Moema, Julvan Lacerda (PMDB), indicado por Toninho Andrade, encabeçou a chapa única da campanha e foi eleito, o que seria uma vitória do vice-governador contra o presidente da Assembleia.

“As chapas foram se afunilando durante o processo, até chegar em duas: a do Julvan e a de Wander Borges (PSB), apoiada por Pimentel e Adalclever. Eles perceberam que seriam derrotados e costuraram de última hora um acordo para formar chapa única, em que Borges aceitou ser vice. Adalclever teve de recuar para não explicitar o enfraquecimento do grupo”, confidenciou um interlocutor do partido.

Outro fato que confirmaria o possível desprestígio de Adalclever seria a fraca presença de parlamentares na festa que o ex-governador Newton Cardoso preparou para homenagear o presidente do Legislativo mineiro, no início de março, em sua fazenda em Pitangui, no Centro-Oeste mineiro. Do PMDB, foram cinco deputados estaduais e três federais – Newton Cardoso Júnior, Saraiva Felipe e Mauro Lopes – contou outra fonte. A legenda possui 13 deputados estaduais e sete federais.

Segundo a fonte ouvida pela reportagem, o PMDB prepara terreno para lançar candidatura própria ao governo do Estado em 2018 e para isso, está em plena negociação com a cúpula do PSDB mineiro. Um influente tucano mineiro confirmou essa informação.

Os peemedebistas mais cotados para concorrer ao governo de Minas seriam o deputado federal Rodrigo Pacheco; o prefeito de Juiz de Fora, Bruno Siqueira, e o empresário Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar, também assediado por outros partidos. Toninho Andrade se lançaria candidato a uma vaga no Senado.

Já Adalclever Lopes trabalha junto à base do governo na Assembleia para garantir a presidência do partido e a reeleição do governador Fernando Pimentel ao governo do Estado, fato questionado entre os mais experientes políticos de Minas. “O político aceita até segurar a alça do caixão, mas não pula junto dentro da sepultura”, citou um deputado mineiro ao opinar sobre a lealdade de Adalclever ao governador petista. Outra fonte do PMDB, em rara declaração de franqueza, avaliou que o PMDB se beneficia da fragilidade política de Pimentel para garantir emendas do governo.

Risco petista

STF. O mandato de Pimentel depende de decisão do Supremo Tribunal Federal, que retomará em maio o julgamento do aval da Assembleia para processar o petista, alvo da operação Acrônimo.

FUTURO

Convenção hoje ainda é incerta

A maioria dos deputados estaduais do PMDB nega as informações de bastidor sobre o controle do partido em Minas e garantem o apoio de toda bancada ao presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Adalclever Lopes. Os parlamentares apostam na convenção do partido, ainda este ano, para tirarem da presidência da sigla o vice-governador, Antônio Andrade.

O deputado Ivair Nogueira (PMDB) afirmou que até meados de setembro o partido formará chapas para eleger o novo presidente do PMDB estadual e destacou a capacidade de diálogo de Adalclever Lopes. “Vejo que ele está trabalhando para tornar o partido forte, unido, que tenha uma forte aliança, tenha perspectiva. O momento é do Adalclever”, elogiou Nogueira, minimizando os episódios da eleição da AMM e da festa de Newton Cardoso.

Mas para assumir o comando oficial da legenda, a cúpula nacional do PMDB é quem agenda a convenção que elegerá os novos presidentes estaduais e municipais. Segundo as fontes ouvidas pela reportagem, o PMDB do presidente Michel Temer dará total cobertura a Toninho Andrade para enfraquecer o governo de Fernando Pimentel. “Pode haver prorrogação do mandato. Se o comando nacional marcar somente para o ano que vem as eleições internas, Toninho Andrade é quem construíra as alianças em 2018”, disse a fonte.

Aliado fiel de Adalclever, o deputado Tony Carlos (PMDB) descartou a hipótese de não haver convenção este ano. “Isso é impossível. O PMDB tem de se regularizar no país inteiro. Não há como deixar de fazer uma convenção num Estado e nos outros, sim”, explicou o peemedebista. (AD)

Campanha

Interior. Adalclever Lopes anunciou que percorrerá o interior de Minas para combater a reforma da Previdência. Fontes dizem que o motivo real é a campanha visando a presidência do PMDB.

O racha entre os grupos do PMDB mineiro veio à tona na eleição municipal em Belo Horizonte, quando o presidente do PMDB estadual, Antônio Andrade, vice-governador de Minas, declarou apoio à candidatura do tucano João Leite à Prefeitura da capital. No primeiro dia do segundo turno, uma foto publicada pelo partido mostrou o líder peemedebista, o candidato derrotado Rodrigo Pacheco e alguns deputados de mãos dadas com o senador Aécio Neves (PSDB) e a cúpula tucana. O fato foi a gota d’água para o rompimento entre Andrade e o governador Fernando Pimentel.

Nos bastidores, porém, há informações de que a briga entre Adalclever Lopes e Toninho Andrade é mais antiga. Fontes do partido contam que Adalclever, ligado ao grupo do ex-governador Newton Cardoso, nunca teria aceitado a derrota da presidência do PMDB para Andrade. “Quando assumiu a presidência da Assembleia de Minas, Adalclever foi investindo na relação com Pimentel e acabou ganhando sua confiança”, disse uma fonte. (AD)

Rivais. Adalclever Lopes, que tem o apoio dos deputados estaduais, e Antônio Andrade, mais forte no grupo dos parlamentares federais, travam disputa de poder
Rivais. Adalclever Lopes, que tem o apoio dos deputados estaduais, e Antônio Andrade, mais forte no grupo dos parlamentares federais, travam disputa de poder

Fonte: O Tempo

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