Descoberta em Minas revela ritos funerários

O pesquisador Rodrigo de Oliveira, que faz parte do projeto da USP | Foto: André Strauss/USP/divulgação

Ossos encontrados na região metropolitana de Belo Horizonte entre 2001 e 2018 revelam que, ao contrário do que se pensava até então, os povos que viviam no local entre 8.000 e 11 mil anos atrás eram complexos e tinham práticas funerárias altamente elaboradas.

Alguns dos 39 ossos encontrados na região de Lagoa Santa – perto do local onde foi localizado, na década de 70, o crânio de Luzia, a mulher mais antiga das Américas – estavam queimados, outros pintados de vermelho e alguns combinavam crânios de crianças com corpos de adultos, ou dentes de uma pessoa com a arcada de outra.

“O que chamou a atenção também é que esses sinais variavam dependendo da idade arqueológica dos ossos. Isso pode significar que os povos que habitavam a região alteraram sua forma de tratar os corpos dos mortos ao longo do tempo. Isso é inédito na arqueologia brasileira”, explica André Strauss, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP), um dos coordenadores do projeto Morte e Vida na Lapa do Santo.

“Apesar das centenas de esqueletos exumados em Lagoa Santa em quase dois séculos de pesquisas, muito pouco foi discutido em relação às práticas funerárias na região”, diz Strauss.

O projeto, que é desenvolvido desde 2011, buscava mostrar como viviam as populações que estavam no território brasileiro, mas superou as expectativas do grupo de pesquisadores. “Achávamos que esses grupos eram simples, mas, depois, os estudos mostraram que é complexo, complicado. Devemos valorizar os aspectos simbólicos dos povos que ocuparam a região de Lagoa Santa”, comenta.

O pesquisador conta que as pesquisas no sítio arqueológico da Lapa do Santo, no município de Matozinhos, região metropolitana de Belo Horizonte, não se encerrarão por aqui. “Seguimos ativos. Vamos continuar com as escavações para buscar novos resultados”, diz. Alguns dos resultados dos trabalhos do grupo já foram publicados em 2016 na revista internacional “Antiquity” e em 2017 na revista do Museu de Arqueologia da USP.

Exposição. Com a ajuda da Prefeitura de Lagoa Santa, o grupo da USP pretende montar, na cidade, uma exposição sobre os resultados dos estudos. O objetivo é que a mostra, que deve estar pronta entre dois e três meses, possua uma estrutura moderna, com impressões em 3D, maquetes e vídeos. Um dos esqueletos que foram alvo do estudo será o primeiro a permanecer em Lagoa Santa, já que todos os ossos encontrados nas escavações sempre são levados para a USP, em São Paulo. (Com agências)

Sequência

Pesquisa. O projeto seguirá com a escavação e as análises. “Isso inclui estudos morfológicos, de microvestígios, isótopos, datação, antropologia virtual, micromorfologia e DNA”, diz André Strauss.

Neandertais usavam refinadas estratégias de caça coletiva

Os neandertais eram capazes de sofisticadas estratégias de caça coletiva, de acordo com uma análise de restos de animais pré-históricos da Alemanha que contradiz a percepção de longa data de que esses humanos primitivos eram brutamontes. As marcas de cortes – ou “lesões de caça” – nos ossos de dois cervos de 120 mil anos fornecem as primeiras evidências concretas de que tais armas eram usadas para matar presas, segundo estudo publicado na revista “Nature Ecology and Evolution”.

Imagens microscópicas e experimentos balísticos reproduzindo o impacto dos golpes confirmaram que pelo menos um foi dado com uma lança a baixa velocidade. “Isso sugere que os neandertais se aproximavam muito dos animais”, disse Sabine Gaudzinski-Windheuser, da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha. “Essa forma de caça exigia planejamento e uma estreita cooperação entre caçadores”.

 

Fonte: O Tempo / Foto: André Strauss/USP/divulgação

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