Delações sobre governo FHC na Petrobras são divergentes

Cerveró acusa Delcídio de ter recebido US$ 10 milhões. Mas Delcídio diz que a propina foi para o antigo PFL
Cerveró acusa Delcídio de ter recebido US$ 10 milhões. Mas Delcídio diz que a propina foi para o antigo PFL

A PF (Polícia Federal) abriu no final de setembro um inquérito para apurar suspeitas de propina pela compra de turbinas para usinas termelétricas à Petrobras entre 1999 e 2001, final do governo Fernando Henrique Cardoso.

A investigação é focada, a princípio, na delação premiada do ex-diretor da estatal Nestor Cerveró, que confessou ter recebido de US$ 600 mil a US$ 700 mil da antiga empresa ABB, que vendeu os primeiros equipamentos à estatal já em 1999.

A ABB foi comprada, em seguida, pelo grupo francês Alstom, famoso pelas acusações de pagar propina por obras do metrô de São Paulo desde a década de 1990.

Segundo Cerveró, a maior parte das vendas de turbinas – e propinas ligadas a elas – foram feitas pela Alstom e pela General Eletric, e sem licitação, devido à urgência de geração de energia no Brasil, que vivia a época do ‘apagão’.

Cerveró confessa ter recebido valores ilegais apenas pelo primeiro contrato. Mas diz que o ex-senador Delcídio do Amaral, então diretor de Gás e Energia – ou seja, chefe de Cerveró – e filiado ao PSDB, teria recebido cerca de US$ 10 milhões da General Eletric por um contrato de US$ 500 milhões.

Delcídio, que também fez delação, negou ter recebido propina nestes negócios. Ele afirmou, no entanto, que a venda de uma turbina da Alstom para a Termobahia, em São Francisco do Conde (BA), rendeu US$ 10 milhões ao PFL (atual DEM), em negócio capitaneado pelo então ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e por Antônio Carlos Magalhães, que na época era presidente do Senado, ambos já falecidos.

“Todos os sinais eram claros de que havia ocorrido pagamento de propina na aquisição dessa usina”, disse Delcídio. Segundo ele, o projeto “foi todo articulado” entre os baianos ACM e Tourinho com a OAS, do mesmo Estado, empreiteira que construiu a Termobahia.

O primeiro a acusar Delcí- dio na compra foi o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em delação, mas a PGR arquivou o caso em mar- ço de 2015 por considerar as afirmações “vagas”.

Caso FHC

O lobista Fernando Baiano disse em delação que representava uma empresa espanhola que queria se associar à Petrobras em obras de outra termelétrica, a TermoRio.

O negócio foi desfeito, porém, porque veio “uma ordem de cima” para que a só- cia fosse uma empresa de Paulo Henrique Cardoso, filho de FHC. A história é confirmada por Cerveró, que participou das negociações.

FHC afirma, em nota, que a história “não tem fundamento”. O ex-presidente diz que “jamais interferiu ou orientou aquisições pela Petrobras” e que o filho nunca foi ligado à empresa citada.

Fonte: Uol

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *