Defesa de Marcelo Odebrecht pede mais prazo para explicar anotações

bdbr_chama_01_20150721062911Os advogados do presidente da Odebrecht S.A., Marcelo Odebrecht, pediram nesta quarta-feira (22) mais prazo para responderem sobre as anotações encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do cliente deles. De acordo com o juiz Sérgio Moro, que coordena a Operação Lava Jato, as anotações fazem referências a supostas manipulações nos trabalhos de investigação da PF e da Justiça Federal.

Para o juiz, as mensagens também podem fazer referência a outros dois ex-executivos da Odebrecht, presos na 14ª fase da Lava Jato, quando Marcelo Odebrecht foi detido. No smartphone do executivo, conforme o inquérito protocolado na terça-feira (21), foram encontrados os seguintes textos, transcritos no formato original, conforme a Justiça:

“MF/RA: não movimentar nada e reimbolsaremos tudo e asseguraremos a familia. Vamos segurar até o fim
Higienizar apetrechos MF e RA
Vazar doação campanha
Nova nota minha midia?
GA, FP, AM, MT, Lula? ECunha? (…)”

De acordo com Moro, uma análise preliminar sugere que MF e RA são siglas referentes a Silva e Araújo, subordinados diretos de Odebrecht e também investigados por crimes de corrupção na Petrobras.

A anotação, diz o juiz, indica que ambos estariam sendo orientados a não movimentar suas contas e que, no caso de sequestro e confisco judicial de bens e valores, seriam reembolsados.

O juiz deu prazo até a próxima quinta-feira (23), para que os advogados respondessem sobre o que seriam essas anotações. Contudo, a defesa de Marcelo Odebrecht diz que precisa falar com o próprio, para que ele diga do que se tratam os textos. Os advogados alegam que só poderão mostrar os conteúdos a ele na quinta-feira, quando haverá a visita aos presos que estão na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. O pedido dos advogados ainda não foi analisado por Moro.

Celulares
O “higienizar” é para que os diretores limpem os dados dos celulares deles e, por consequência, destruam provas, ainda segundo Moro. “Vazar doação” é algo que ainda não foi elucidado, mas parece ser uma ameaça a beneficiários, afirma o juiz.

Outros trechos a serem explicados, encontrados no celular do presidente da holding, também foram transcritos no despacho:

“(…) Assunto: LJ: ação JES/JW? MRF vs agenda BSB/Beto
Notas Dida/PR/açoes MRF. Agenda (Di e Be). limp/prep
E&C. Desbloq OOG. Dossie? China? Band? Roth?
Integrante OA? Minha cta Tau? Perguntas CPI. Delação
RA? Arquivo Feira, V, etc. Volley ok? Panama?

Assistentes:
Localização:
Detalhes:
Acoes B
– Parar apuracao interna (nota midia dizendo que existem para preparar e direcionar).
– expor grandes
– para apuracao interna
– desbloqueio OOG
– blindar Tau
– trabalhar para parar/anular (dissidentes PF…) (…)”.

LJ é referência à Operação Lava Jato, segundo a Justiça. “O trecho mais pertubardor é a referência à utilização de ‘dissidentes PF’ junto com o trecho ‘trabalhar para parar/anular’ a investigação”, afirma o magistrado. Moro ressalta que o termo “dissidentes da PF” coloca uma sombra sobre o significado da anotação.

Outras referências como “dossiê”, “blindar Tau” e “expor grandes” são igualmente preocupantes, afirma o juiz. Para ele, nada indica que os recados eram dirigidos às defesas e nem que eram originados de orientação dos advogados.

Mesmo assim, Moro diz “oportunizar” as defesas para que esclareçam as anotações “graves”, já que, pelo sigilo profissional que é de direito, estratégias ilícitas, como a destruição de provas, poderiam ser acobertadas pelos advogados.

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