Ainda é cedo para uma previsão de quando os preços voltarão ao normal, mas Caio Coimbra, analista de Agronegócio da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), acredita que, dependendo da extensão de terras impactadas, esse prazo pode ser entre um e dois meses.

“Na Ceasa Minas, por exemplo, houve queda na quantidade de entregas, devido a problemas nas estradas. Parte do que chega, chega em quantidade menor e em qualidade inferior. Muitos produtos são perecíveis. O excesso de chuva causa, em algumas culturas, como as de alface, couve e outras folhas, doenças fúngicas”, explicou o especialista.

A Ceasa deverá divulgar hoje um balanço do impacto da chuva do fim de semana no entreposto. Mas dados disponibilizados permitem uma comparação entre preços médios negociados no local na sexta-feira passada, quando o temporal teve início, e na segunda-feria última, após São Pedro abrir a torneira.
Nesse caso, o campeão de aumento foi o pimentão verde, cujo quilo disparou de R$ 0,90 para R$ 2,22 (alta de146,7%). A mesma quantidade do tomate longa vida saltou de R$ 3 para R$ 4,50 (alta de 50%).

O aumento na Ceasa refletiu imediatamente nas prateleiras dos sacolões da capital. Em um deles, no bairro Padre Eustáquio, região Noroeste, onde Jovino Ferreira é gerente, a estratégia foi não repassar todo o percentual do aumento.

Mesmo assim, reajustes precisaram ser feitos. “O preço das folhas subiu muito. Tanto o da alface quanto outras. O do tomate nem se fala. De menos de R$ 2 foi para mais de R$ 5”, diz Jovino.

Os consumidores que estiveram esta semana nos sacolões reclamaram da diferença em relação à semana passada. O quilo da banana prata teve alta de 11% e atingiu R$ 2,50. “A  banana já não está mais com preço de banana”, lamentou Marcelo Andrade.

Os analistas da Faemg, preveem que as perdas nas lavouras irão gerar um impacto na economia mineira, mas ainda é cedo para mensurar qualquer estimativa.