Chuva provoca mais tragédia, e número de mortes chega a 13

Cheia. Nível do córrego Novo Horizonte, que corta o distrito de Imbiruçu, em Mutum, subiu
Cheia. Nível do córrego Novo Horizonte, que corta o distrito de Imbiruçu, em Mutum, subiu

As chuvas não deram trégua nessa quinta-feira (15) em boa parte de Minas nem tempo para que uma família tentasse salvar os pertences de uma casa atingida pela lama em Mutum, na região do Rio Doce. Vizinhos ajudavam a tirar os móveis, na manhã dessa quinta-feira (15), quando o imóvel foi atingido pelo segundo deslizamento de terra desde a madrugada. Seis pessoas ficaram soterradas e três morreram, entre elas um menino de 4 anos.

Com isso, sobe para 13 o número de mortes em decorrência da chuva em Minas, sendo nove só nesta semana. Em Mutum, chove desde segunda-feira sem parar, mas sem grandes pancadas, o que encharca o solo e propicia o deslocamento de terra. Porém, das 17h de quarta-feira até as 10h dessa quinta-feira (15), o volume aumentou e atingiu 135 milímetros, segundo a Defesa Civil Municipal.

A região montanhosa, uma das maiores produtoras de café, ficou em alerta, assim como todo o Rio Doce, onde tem ocorrido boa parte dos casos de alagamento e de deslizamentos no Estado – outras quatro pessoas morreram na região no mês passado. Na área rural conhecida como Novo Horizonte (também nome do córrego que corta o local), no distrito de Imbiruçu, em Mutum, parte do barranco cedeu durante a madrugada e atingiu a casa de Renato Garcia.

Ele ficou soterrado após a queda de um muro, mas conseguiu se salvar. Dentro da casa estavam ainda a mulher dele e o filho recém-nascido, que conseguiram sair a tempo. Pela manhã, Renato voltou ao local acompanhado do pai, Belarino Garcia, 50, do irmão Romário Garcia, 25, além de mais três vizinhos: o garoto Maciel Custódio da Silva Filho, 4, seu pai, identificado como Anilton, e outro adulto reconhecido como Vanilson. Quando retiravam alguns móveis, um deslizamento de terra encobriu a casa.

Belarino e Romário foram retirados da área já mortos. O garoto Maciel chegou a ser levado para o hospital mais próximo, em Ibatiba (ES), mas não resistiu. Renato, Vanilson e Anilton foram resgatados com vida e também levados para o pronto-socorro de Ibatiba.

Segundo o chefe da Defesa Civil de Mutum, César Tomé, o local não era mapeado como área de risco, por isso não houve sinal de alerta. O córrego Novo Horizonte também subiu, e a cidade registrou outros alagamentos. “Estamos em alerta total, a previsão ainda é de muita chuva”, completou. Em Minas, ao menos 11 cidades já decretaram situação de emergência por causa da chuva, e quatro estradas estão interditadas por rompimento de pista.

PREVISÃO

Chuva deve reduzir, mas sem tempo para reparos

No fim da tarde dessa quinta-feira (15), a Defesa Civil de Belo Horizonte emitiu alerta para comunicar que o tempo seguirá instável, pelo menos até a manhã desta sexta-feira (16). Mas no Estado, de forma geral, a previsão é que a chuva dê uma leve trégua nos próximos três dias por conta do enfraquecimento das áreas de instabilidade e do deslocamento da frente fria para o oceano, de acordo com o TempoClima, da PUC Minas. O intervalo, no entanto, é insuficiente para obras de contenção em áreas de risco.

“É pouco tempo (para obra), seria arriscado. O que dá para fazer é limpeza e desobstrução de canaleta para o caminho da água”, afirmou o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape-MG), Clémenceau Saliba.

Previsão. O tempo ainda segue nublado nesta sexta-feira (16) em boa parte de Minas. Na capital e na região metropolitana, deve ter nevoeiro pela manhã, e temperatura variando de 13°C a 27°C, sem chuva no decorrer do dia. Já nas regiões do Rio Doce, leste e Zona da Mata, ainda deve chover nesta sexta-feira, em menor intensidade. No Triângulo e no Sul, também há possibilidade de precipitação.

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