Cervejaria de Minas Gerais fechada pelo Governo Federal contesta laudo; Dentista de São Lourenço pode ser mais um intoxicado pela bebida

A cervejaria Backer contestou o laudo da Polícia Civil de Minas que apontou a presença da substância dietilenoglicol em garrafas da cerveja Belorizontina, produzida pela marca, e que pode ter sido a causa de uma morte e nove internações em hospitais de Belo Horizonte e da região metropolitana. Segundo o departamento jurídico da empresa, até o momento, não há prova de contaminação do produto.

Laudo da polícia divulgado na quinta apontou a presença do composto químico dietilenoglicol em garrafas da Belorizontina que teriam sido consumidas pelas vítimas. No caso de fábricas de cerveja, a substância pode ser utilizada no resfriamento de tanques ou serpentinas.

A Backer afirma que não usa o produto em sua linha de produção. Exames de laboratório já comprovaram a presença do dietilenoglicol no organismo de três pessoas que foram hospitalizadas. O laudo foi feito com base em garrafas da cerveja recolhidas na casa de possíveis vítimas.

“É importante destacar que não existe laudo pericial conclusivo sobre a presença do dietilenoglicol nas amostras analisadas pela Polícia Civil. Foi elaborada apenas uma análise preliminar. Isso significa que, até o presente momento, não existe prova de contaminação. Tanto é que tal análise não nos foi encaminhada formalmente”, afirma o advogado da Backer, Estevão Nejm.

Ministério determinou interdição e apreensão de produtos

Sob alegação de “risco iminente à saúde pública”, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento fechou na última sexta-feira (10), a fábrica da Backer no bairro Olhos D’Água, região oeste de Belo Horizonte. A pasta informou que a medida foi tomada de forma “cautelar” e que “foram determinadas ações de fiscalização para a apreensão dos produtos que ainda se encontram no mercado”.

Confira toda nota emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Diante do risco iminente à saúde pública, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou, como medida cautelar, o fechamento da Cervejaria Backer, fabricante da cerveja Belorizontina. Na mesma oportunidade, foram determinadas ações de fiscalização para a apreensão dos produtos que ainda se encontram no mercado. Segundo a Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, por meio de informação preliminar de 9 de janeiro de 2020, foi identificada a substância “dietilenoglicol” em amostras de cerveja pilsen, marca Belorizontina, lotes L1 1348 e L2 1348. Auditores fiscais federais agropecuários – nas especialidades farmacêutica, química e de engenharia agronômica – prosseguem apurando as circunstâncias em que ocorreram a contaminação verificada pelas autoridades policiais nos lotes indicados, a fim de dar pleno esclarecimento à população dos fatos. Análises laboratoriais seguem sendo realizadas nas amostras coletadas pela equipe de fiscalização das Superintendências Federais de Agricultura. Além disso, mais de 16 mil litros.” 

Em nota divulgada neste sábado, a Backer disse que, pelo caráter cautelar da medida, “A empresa não foi responsabilizada administrativamente ou penalizada judicialmente, tratando-se de uma medida meramente preventiva”.

A fábrica afirmou ainda “que segue colaborando e aguardando os resultados das investigações”, e que “conforme anunciado, vai realizar uma vistoria completa em seus processos de produção, visando o esclarecimento a toda a sociedade”.

A Polícia Civil também se manifestou

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que os peritos do Instituto de Criminalística realizaram análises de amostras de cerveja produzida pela Backer durante todo o sábado (11/01).

Também estão sendo realizados exames no material que foi recolhido na cervejaria durante perícia ocorrida na última quinta-feira (09/01). Os laudos devem ficar prontos nos próximos dias.

Conforme divulgado na última sexta-feira (10/01), as amostras de sangue de três pacientes internados apresentaram a substância dietilenoglicol, a mesma identificada em três amostras da cerveja.

Sobre a informação de que um supervisor do  empresa Backer registrou Boletim de Ocorrências, em 19 de dezembro de 2019, após um funcionário ter sido demitido: o crime de ameaça demanda ação penal pública condicionada à representação do ofendido. Tendo em vista que a pessoa que registou o referido boletim não foi à delegacia representar pela continuidade de ação penal, não foi instaurado Termo Circunstanciado de Ocorrência.

Independentemente deste fato, a Polícia Civil não descarta nenhuma possibilidade, o que vem sido divulgado desde o momento em que o delegado Flávio Grossi instaurou o inquérito sobre a forma de contaminação da cerveja Belorizontina, ou seja, a partir da última quarta-feira.

É importante ressaltar: desde o momento em que a PCMG tomou conhecimento de que as pessoas que desenvolveram a síndrome nefroneural podem ter sido contaminadas após ingerir a bebida, foram instauradas diligências preliminares (que subsidiam a decisão da autoridade instaurar ou não um inquérito).

Dentista do Sul de Minas pode ser mais um intoxicado pela cerveja

Um dentista de 64 anos pode ter sido mais uma vítima da intoxicação que causou uma doença desconhecida em todo estado de Minas Gerais. Eduardo Viera, mora em São Lourenço e esteve em Belo Horizonte no final de novembro, onde lá consumiu a cerveja “Belorizontina”, da Backer, durante uma confraternização.

Segundo a esposa, Eduardo foi submetido a diálise e continua com o tratamento, três vezes por semana. Ela também completou dizendo que o marido fez um check-up (bateria de exames) há menos de um ano, e nada foi detectado.

Em nota, a Prefeitura de São Lourenço comentou sobre o fato: “A Prefeitura de São Lourenço, através da Secretaria de Saúde, informa que o paciente Ney Eduardo Vieira Martins, morador do município, viajou no final de novembro de 2019 para Belo Horizonte, onde consumiu a cerveja “Belorizontina”, retornando para à cidade no início do mês dezembro, quando iniciou os sintomas característico da Síndrome Nefroneural. Ele precisou ser hospitalizado na UTI do Hospital São Lourenço devido ao agravamento do quadro de insuficiência renal crônica. De acordo com o Setor de Vigilância Epidemiológica, o histórico informado pela família coincide com os mesmos sintomas da Síndrome que já atingiu outros pacientes, como já anunciado pela mídia nacional.A Secretaria Municipal de Saúde está prestando total assistência no caso. Inclusive, a Secretaria de Estado de Saúde já foi notificada pelo município através da Regional de Saúde de Varginha. O estado do paciente é estável e ele está se recuperando junto à família”.

Fonte: Notícias ao Minuto/O Popular Net/

Por: Redação CSul – Alisson Marques 

 

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