Aumento de morte cardíaca fora dos hospitais preocupa médicos

A pandemia do novo coronavírus tem deixado um rastro de mortes cardiovasculares fora dos hospitais e levado pesquisadores de vários países, inclusive o Brasil, a investigar as razões.

São quadros agudos, relacionados ou não à doença, em que não houve tempo para o socorro; em outras situações, o socorro demorou para chegar.

Há também casos em que em que a pessoa, mesmo com sintomas, retardou a ida ao hospital com medo do contágio pelo coronavírus. Em São Paulo, hospitais registram queda de até 70% em atendimentos cardiológicos desde o início da pandemia.

Resultados preliminares de um estudo feito no norte da Itália, entre 20 de fevereiro e 31 de março, mostra um aumento de 58% no número de paradas cardíacas fora do hospital, em relação ao mesmo período do ano passado –229 contra 362 casos, sendo que desses, 103 tinham suspeita ou confirmação de Covid-19.

Embora seja impossível diferenciar entre as mortes causadas por complicações da infecção e aquelas resultantes de causas indiretas, como a evasão hospitalar, os autores estimam que a Covid-19 represente 77,4% do aumento nos casos de doenças cardíacas extra-hospitalares.

Diversos estudos têm demonstrado que a Covid-19 pode causar danos ao coração, levando a complicações como infartos, miocardites, insuficiência cardíaca, isquemia e tromboses.

A alta foi mais acentuada em duas províncias que primeiro registraram casos da doença e que tiveram o maior número de casos por 100 mil pessoas.

Na província de Lodi, o aumento foi de 187% e em Cremona, de 143%. Em Pavia e Mantova, onde a epidemia chegou um pouco mais tarde e menos pessoas per capita foram infectadas, os aumentos na parada cardíaca foram de 24% e 18%, respectivamente.

Os dados foram publicados como carta no renomado periódico científico The New England Journal of Medicine. São os primeiros a fornecer números de paradas cardíacas em uma região fortemente atingida pela Covid-19.

Fonte:Notícias ao Minuto/Foto:Shutterstock

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