Artigo: Aspectos Psicológicos das Previsões de Safra

*Antônio José Ernesto Coelho     

As Previsões de Safras no Brasil são tomadas de grandes expectativas por parte do universo cafeeiro.

Elas influem numa infinidade de fatores que, em resumo, afetam o preço do nosso produto.

Não cabe aqui, descrever a forma específica de como se fazer uma PREVISÃO DE SAFRA, pois a cada dia está se modernizando a sua forma de execução.

Temos duas fases de uma PREVISÃO DE SAFRA, sendo a primeira, que é a tomada de informações, in loco, conduzido o questionamento por uma pessoa (que deve ser um profissional altamente competente para tal ) que verificará o estado da lavoura, fará a mensuração do quantitativo e qualitativo, em pontos que melhor representam o universo do talhão ou propriedade e também por informação do proprietário ou responsável.

Sobre este informante, na maioria das vezes, recai grande importância nesta avaliação.

Por várias vezes registramos informações,posteriormente reveladas após a limpeza do café, que não coincidiam com   as fornecidas inicialmente, justamente pelo componente psicológico.

Quando o produtor vem de uma safra alta, nunca imagina que a próxima pode ser aquém da que previu, normalmente informando que será a metade, quando na realidade somente produziu 20% da anterior;

Fato inverso também é muito frequente, quando se sai de uma safra muito baixa, não se estima que à próxima possa dar duas ou mais vezes a quantidade produzida anteriormente.

Se a ação do entrevistador se focar somente a essas informações do proprietário ou responsável e não verificar as condições gerais do local, objeto da previsão, certamente o erro será inevitável.

A segunda fase, da utilização das previsões como balizamento para projeções de oferta/procura, tem um caráter preponderante naformação dos preços.

Ao longo de mais de 40 anos lidando nesta área vimos que o comportamento psicológico é plenamente utilizado para a manipulação dessas informações.

Determinados organismos de nações estrangeiras, firmas compradoras, exportadoras e muitas outras envolvidas neste complexo comércio, usam o artifício de alterarem substancialmente, para maior, o quantitativo da realprodução.

Quando a safra é alta costumam alardear um volume maior para que os estoques mantidos e o estoque de passagem sejam maiores ainda, induzindo a alterar todo equilíbrio da demanda/consumo mundial.

Para as safras baixas, com estoques de uma maneira geral reduzidos e sabendo-se que mesmo com uma baixa produção (Ex.: 30 milhões de arábica) e com exportações de 2,5 a 2,8 milhões/sacas mês, praticamente com 11 meses de venda assegurados, sem escassez mundial comprovada, e com temor de que os produtores diminuam ou segurem seus estoques, eles já propagam exaustivamente na mídia e em falsas previsões, que a próxima safra será extremamente volumosa induzindo aí ao componente psicológico para promover a baixa da cotação do produto.

Essas previsões alteradas para mais, interferem antecipadamente a que os produtores não consigam melhores preços e só serão desmentidas quando da ultima previsão em abril/maio, ocasião em que esses manipuladores fazem a correção para um ajuste próximo a realidade e justificarem quenão erraram  muito,  sendo assim, o período de melhor comercialização já foi prejudicado.

Mister se faz necessário, que o setor produtivo, mais os órgãos de classe, proponham ao órgão competente do Estado, uma regulamentação para a PREVISÃO DE SAFRA cafeeira, levando-se em conta o registro da metodologia a ser utilizada,  o nº de pessoas envolvidas na tomada de informações e tudo o mais que possa dar transparência e credibilidade às informações divulgadas.

Para os entes que fazem estas previsões, terão que existir sanções com relação a não retratarem, fidedignamente, à realidade da safra, incluindo- os para responderem processos por falsidade ideológica, crime de lesa pátria (perda de receita), manipulação de bolsas e outras sanções cabíveis.

De nada adianta os cafeicultores se esmerarem em fazer um excelente produtose essas manipulações interferirem negativamente,  aniquilando todo o esforço de obter, pelo menos, um valor compatível com o seu custo, acrescido de um lucro que permita a sua permanência nessa nobre atividade de bem produzir, gerar empregos e conseguir divisas para a nação.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *