Alexandre Kalil diz que retirada de camelôs do centro de BH é ‘definitiva e sem volta’

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), disse nesta terça-feira (4) que a retirada de camelôs do hipercentro da capital mineira, é “operação definitiva e sem volta”. Os vendedores começaram a ser retirados das ruas nesta segunda-feira (3).

Os vendedores ambulantes fazem, nesta terça-feira (4), a segunda manifestação contra a ação da prefeitura. Eles fazem passeata por avenidas e ruas do centro da capital. Os manifestantes soltam rojões e gritam palavras de ordem, como “queremos trabalhar e o Kalil não quer deixar”.

Nesta segunda-feira (3), o protesto dos camelôs terminou em confronto com a Polícia Militar, que usou bombas de efeito moral e jatos de água para reprimir a manifestação.

Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (4), Kalil afirmou que não vai deixar “um bando de 50 contrabandistas de cigarro” trabalhar na cidade. “Cigarro roubado e e celular roubado vendido na cara do poder público na minha cidade não terá”, disse.

A prefeitura anunciou que o sorteio de camelôs para trabalharem dentro de shoppings populares foi antecipado para esta quinta-feira (6). O processo seria iniciado no dia 20 de julho. Serão sorteadas, em um primeiro momento, 500 vagas para os trabalhadores, que terão subsídio da administração municipal para pagarem por boxes dentro dos centros comerciais.

A prefeitura apresentou na Câmara de Vereadores um projeto de lei de operação urbana que autoriza o Executivo de Belo Horizonte a subsidiar o aluguel de boxes de camelôs em shoppings populares privados. O PL prevê que a prefeitura arque com 95% do aluguel no primeiro ano e o vendedor pagaria os 5% restantes. Estes índices vão se revertendo ao longo de cinco anos, até que o comerciante consiga pagar totalmente o aluguel.

“Nós vamos colocá-los, pagando o aluguel de todos, durante cinco anos, gradativamente. O poder público tem o dinheiro, pra ajudar a quem precisa. Então não é uma coisa desumana que nós estamos fazendo. Nós estamos fazendo uma coisa planejada, bem feita, de responsabilidade”, falou o prefeito Alexandre Kalil.

Retirados pela prefeitura, camelôs fazem novo protesto em Belo Horizonte
Foto Divulgação

De acordo com a secretária municipal de Serviços Urbanos, Maria Caldas, o valor final do aluguel para o comerciante deve chegar a R$ 600. “Esse valor é trazido a valor presente e, obviamente, com as correções que a gente estima que aconteça, de aluguel, IGP-M, essas coisas no percurso. Isso inclui o valor de condomínio e aluguel, o máximo que ele [comerciante] terá que pagar num shopping”, afirmou.

A ação de retiradas dos camelôs, segundo Kalil, também vai se estender para os bairros.

Vera Lúcia Bonfim, representante dos camelôs, disse que os comerciantes querem uma feira pública. “A forma que está sendo feita não está legal. Eles sempre fizeram isso, tentaram arrumar uma solução colocando dentro de shopping popular. (…) Eu tenho 47 anos, tenho minhas filhas, não vim para criar confusão. Quero que comecem a enxergar a relaidade, abrir feira”, reclamou Vera.

O promotor de Direitos Humanos do Ministério Público de Minas Gerais, Mário Higuchi, disse que vai instaurar uma investigação para apurar se houve abuso da Polícia Militar nos protestos. Ele ainda disse que o MPMG acompanhou todo o processo do plano de revitalização para garantir sua legalidade.

O protesto de camelôs desta segunda, contra a ação da Prefeitura de Belo Horizonte de retirá-los do Centro, foi reprimida com uso de bombas e jatos d’água por parte da Polícia Militar. Quatorze pessoas foram presas e oito, atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Plano de Revitalização do Hipercentro

Medidas para melhorar a qualidade de vida da população de rua também foram anunciadas. O censo, feito em 2013, apontou 1.709 pessoas vivendo nessas condições na capital. A maior parte delas fica na região do Hipercentro. A gravidade desse problema também foi mostrada pelo MGTV em reportagens especiais.

Segundo a secretária municipal de Políticas Sociais, Maria Caldas, os albergues têm atualmente 800 vagas. Esse número deve ser ampliado e os centros de referência vão passar a funcionar nos fins de semana.

A revitalização de áreas degradadas também está no projeto da Prefeitura, que pretende incentivar a economia e manifestações culturais na região.

Outro ponto que preocupa é a segurança. O comandante da guarda municipal afirmou que o roubo e furto de celular é um dos crimes mais comuns nas ruas do Centro. O problema também já denunciado pelo MGTV. Ele disse que 100 guardas municipais vão reforçar a segurança nos pontos onde a população corre mais risco.

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