Morumbi registra quase 10 assaltos por dia em 2015

Há dois anos, o Morumbi, bairro nobre da zona sul de São Paulo, registra cerca de dez assaltos todos os dias.

De janeiro a setembro de 2015 foram 9,5 ocorrências diárias, entre roubos e furtos. O índice é mais baixo que o de 2014, ano que bateu recorde de violência com 10,3 casos diários no mesmo período. Já em 2013, a média para esse tipo de crime foi de 8,5 casos por dia.

Os dados são da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e se referem às ocorrências registradas no 89º DP (Distrito Policial – Portal do Morumbi).

Os números consideram as estatísticas para “roubo (outros), roubo a banco, roubo de veículos, roubo de carga, furto (outros) e furto de veículo”.

O maior número de ocorrências é a de roubos e furtos “outros”, que são os crimes cometidos em residências, interior de veículos, estabelecimentos comerciais e contra pedestres.

De acordo com Celso Neves Cavallini, de 70 anos, presidente do Conseg (Conselho de Segurança) do Portal do Morumbi, são esses crimes “que trazem violência e terror aos moradores”.

— [Juntamente com os latrocínios], esses são os problemas crônicos que a gente tem que combater.

Esses números incluem os arrastões que vêm assustando moradores e trabalhadores nos últimos anos.

Entre o fim de outubro e começo de novembro, a região teve ao menos quatro arrastões. Os bandidos usam sempre a mesma tática: abordam motoristas parados em cruzamentos e semáforos, fazem a limpa nos carros e fogem com os comparsas em motos.

O contador Antonio, de 70 anos, que prefere não revelar o sobrenome, trabalha para uma família do bairro, onde acaba morando por alguns dias do mês.

Ele conta que já presenciou mais de um assalto pela manhã, enquanto realizava caminhadas pelo bairro, e que a sensação entre os moradores é de medo.

— Em algumas áreas do Morumbi está terrível. As pessoas estão inseguras. Eu mesmo estou inseguro.

Edson Gonçalves de Melo, de 47 anos, é dono de uma imobiliária no bairro, onde mora e trabalha há mais de 20 anos. Ele conta que o problema da segurança sempre houve, “mas se agravou”.

— Antes eu ouvia a falar da violência, mas hoje eu tenho visto da minha janela. Na verdade, a gente tem se preocupado muito mais, tenho minhas filhas, que andam de carro, e hoje a gente evita passar em locais específicos. Mudamos algumas atitudes.

Para mudar essa realidade, o governo de São Paulo planeja instalar uma base fixa da PM (Polícia Militar) dentro de Paraisópolis, comunidade pobre que é vizinha aos edifícios e mansões do Morumbi.

Segundo a PM e o Conseg local, há pelo menos 16 rotas de fuga que passam pela favela, o que facilita a ação de criminosos na região. O terreno onde será construída a base da PM será desapropriado ainda neste mês, informou a SSP.

Até lá, a secretaria decidiu reforçar o policiamento no Morumbi “com dois pelotões da Rota, a Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar, e um pelotão da Rocam.  Além disso, o policiamento da região já recebeu reforço de equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), em operação conjunta com a PM — que adotou um policiamento mais ágil, com motocicleta — para prender os criminosos. As ações contam com o apoio do Águia e do Pelicano”.

Na tarde da última quarta-feira (4), foram detidos cinco suspeitos de participar de uma quadrilha que praticava assaltos a residências na região.

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